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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Como se tornar um Líder Servidor

HUNTER, James C. Como se tornar um líder servidor / James C. Hunter : tradução de . B. Pinheiro de Lemos. – Rio de Janeiro : Sextante, 2006.


Como se tornar um líder servidor, tem dois objetivos: o primeiro é compilar de maneira simples, concisa e clara os princípios da liderança servidora apresentados em seu livro anterior. O segundo é proporcionar um guia que facilite a aplicação desses princípios em sua vida e no trabalho. O autor acredita que liderar não é ser "chefe". Liderar é servir. Embora "servir" tenha uma conotação de fraqueza para alguns, a liderança servidora pode ter um impacto positivo em nosso desempenho como pais, treinadores, cônjuges, professores, pastores ou gerentes – afinal, todos querem se tornar os líderes que as pessoas precisam e merecem. Para Hunter, muitos têm consciência de que estão falhando com suas equipes: "Eles reconhecem que os antigos métodos de comando e controle, na base do grito e da ameaça, são ineficientes quando se lida com uma força de trabalho diversificada, formada por gerações muito diferentes, que cresceram desconfiando de quem tem o poder." Falando sobre sua própria experiência e citando clientes e personalidades tão diferentes quanto Jesus, Gandhi e Jack Welch, James Hunter sustenta que "liderar é inspirar e influenciar pessoas a fazerem a coisa certa, de preferência entusiasticamente e visando o bem comum". Este livro mostra que o desenvolvimento de liderança e a construção do caráter são a mesma coisa – ambos exigem mudança. Os princípios da liderança servidora podem ser aprendidos e aplicados por quem tem a vontade e a intenção de mudar, crescer e melhorar.

O autor explica como aplicar no dia a dia os preceitos da técnica, desde uma auto-reflexão transformadora até o bê-a-bá para exercer a prática junto aos liderados. Mas lembra que não basta apenas ler o livro, é preciso estar motivado a realizar mudanças interiores que irão conseqüentemente refletir em suas atitudes. Ele define como insanidade o ato de “continuar fazendo o que você sempre fez e esperar resultados diferentes”. Como se tornar um líder servidor apresenta aplicações práticas do conceito de liderança servidora, já detalhado no livro O monge e o executivo. E traz ainda ensinamentos sobre como funcionam as empresas bem-sucedidas: a busca de profissionais com o perfil ideal, os planos de remuneração por resultado, as maneiras de tornar o trabalho mais desafiador, as avaliações de liderança e os treinamentos eficientes. James C. Hunter defende a tese de que os líderes devem ter caráter, uma base espiritual muito forte e a consciência de que liderança não é poder e sim autoridade, conquistada com amor, dedicação e respeito pelas pessoas. O autor mostra que é preciso praticar diariamente as habilidades da liderança servidora para que elas se tornem um hábito. Basta se engajar em um processo de melhoria contínua, aceitar feedback de seus subordinados e estar disposto a assumir os riscos para eliminar a distância entre o que você é e o que você precisa mudar para se tornar um líder realmente eficaz. Ao trilhar este caminho, é importante não confundir poder com autoridade. A autoridade inspira as outras pessoas a fazer as coisas com boa vontade, o poder as obriga. A liderança servidora é um estilo de vida – ela não é conquistada, mas sim construída com serviço e sacrifício. 


Amor e liderança
Hunter afirma no livro, que o amor deve ser praticado rotineiramente pelos que desejam alcançar excelência tanto na vida profissional como na pessoal. Mas ele avisa que não é o amor romântico entre duas pessoas, e sim o ato de amar o próximo e tomar atitudes que elevem as pessoas a seu redor. Em sua definição, o amor é “o ato de se pôr à disposição dos outros, identificando e atendendo suas maiores necessidades, sempre procurando o bem maior”. Amar não é apenas sentir. Exige a tradução desse sentimento em ações. É o amor do pai pelo filho. É o amor do militante político na luta pela justiça, mas que trata seus próximos com respeito e dignidade. É a paixão da juventude em dar vida a seus sonhos a partir de perguntas existenciais que se fazem. São bandeiras espalhadas pelo mundo todo a favor de uma cultura que seja permeada pelo amor.


Autoridade

  É um gênero ou uma simples fonte de poder. É a base de qualquer tipo de organização hierarquizada, sobretudo no sistema político. É uma espécie de poder continuativo no tempo, estabilizado, podendo se caracterizar como institucionalizado, ou não, em que os subordinados prestam uma obediência incondicional, ao individuo ou a instituição detentores da Autoridade. Ou seja, a Autoridade transmite a mensagem de ordem sem dar razões ou algum argumento de justificação e os indivíduos subordinados a esta autoridade aceitam e obedecem sem questionar.

Inteligência emocional

A Inteligência Emocional está relacionada a habilidades tais como motivar a si mesmo e persistir mediante frustrações; controlar impulsos, canalizando emoções para situações apropriadas; praticar gratificação prorrogada; motivar pessoas, ajudando-as a liberarem seus melhores talentos, e conseguir seu engajamento a objetivos de interesses comuns.
 
Conseguir extrair do outro o melhor e ensiná-lo a expor suas opiniões e a pensar exige habilidade. Ter um diálogo fluente e agradável com os subordinados e identificar as necessidades profissionais, com sensibilidade e preocupação com o ser humano é desafiante. Ainda mais quando a conversa envolve a mudança do pensar e do agir. Alterar o pensamento e convencer as pessoas da importância de se preparar para ter argumentos fortes e estruturados é uma das tarefas dos grandes líderes. Afinal, o interessante é mostrar os caminhos e incentivar a análise crítica dos processos, para que a equipe seja coesa, segura e eficiente. O livro Como se tornar um líder servidor discute uma nova abordagem de liderança. Ele é destinado àquele que deseja se tornar mais eficaz, inspirando sua equipe a elevar o pensamento a um nível de alta qualidade, mas só dispõe de alguns minutos por semana para falar com eles. Atinge também o executivo que gostaria de levar o gerente a fazer planejamentos melhores, mas não sabe como; o gerente que quer inspirar a equipe de vendas, porém não enxerga as alternativas e o profissional de recursos humanos que precisa mudar a cultura da organização. A saída para atingir esse grau de independência na tomada de decisões e a harmonia dos líderes da empresa está no pensamento. Para o autor, se as pessoas são pagas para pensar, está na hora de o mundo dos negócios saber mais sobre o funcionamento da porção responsável pelo pensamento: o cérebro. O é uma publicação prática, composta de seis passos e que apresenta uma nova forma de dialogar, com base nas recentes descobertas sobre o funcionamento do cérebro. Uma das principais deficiências das organizações é a conversa que não atinge seu objetivo. A aplicação desses seis passos pode fazer uma grande diferença.
 
Palavras-Chave


Liderança => Habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir objetivos comuns, inspirando confiança por meio da força do caráter.

Autoridade => Habilidade de levar os outros a fazerem de bom grado a sua vontade. É a essência da pessoa e está ligada a seu caráter.


Amor => Lealdade, trabalho em equipe, respeito à dignidade e à individualidade.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Resenha do filme A Ilha do Medo (Shutter Island)

Filme: A Ilha do Medo
Título original: Shutter Island
Lançamento: 2010 (EUA)
Direção: Martin Scorsese
Duração: 138 min
Gênero: Suspense


Um filme de suspense à moda antiga. Conta a história de um delegado da Polícia Federal que viaja com seu parceiro até uma prisão psiquiátrica para criminosos de alta periculosidade para investigar o desaparecimento de uma paciente e em busca de outro, que incendiou o prédio onde vivia e sua esposa morreu asfixiada pela fumaça, para vingar-se. É um lugar isolado no meio do oceano. Chegando lá, é informado de que existem três alas: a ala feminina, a masculina e a dos mais perigosos. Nesta última ala, denominada Ala C, eles só poderiam entrar lá com autorização escrita do Psiquiatra e acompanhados de enfermeiros, por medidas de segurança. A paciente que eles investigam o desaparecimento, foi presa após afogar seus três filhos no lago próximo a sua casa. Ela sumiu misteriosamente, sem deixar rastros. Os delegados Teddy (Leonardo DiCaprio) e Chuck (Mark Ruffalo), entrevistam os pacientes e ficam intrigados com as respostas que parecem ter sido ensaiadas. Durante um passeio ao cemitério do hospital, cai uma tempestade e os dois parceiros se molham. Voltando ao hospital, lhes são dadas roupas iguais as dos enfermeiros. Devido à tempestade, as portas das celas são abertas e os presos são soltos. Os enfermeiros partem para levá-los de volta às suas celas. Aproveitando a oportunidade, entraram na Ala C como se fossem enfermeiros e partiram em busca do suposto paciente, o qual todos negavam estar lá. Durante a busca, encontra e conversa com um ex-paciente que havia denunciado o lugar por fazer experimentos com os internos. A partir daí, a trama passa a ter várias possibilidades de conclusão e o espectador passa a se perguntar o que é real e o que não é. A mulher morta aparece nos sonhos do delegado Teddy (Leonardo DiCaprio) lhe dizendo o que fazer, a conversa com o ex-paciente sugere que não escute o que sua mulher lhe diz. Ele sai em busca de provas das supostas cirurgias, que estariam no farol rodeado por pedras e de difícil acesso. Ao tentar chegar no farol, o parceiro Chuck surge com o registro do paciente que negam estar lá e o tenta fazê-lo desistir da ideia de ir até lá, mas ele insiste e, do nada, o parceiro desaparece inexplicavelmente. Tentando chegar ao seu alvo, o farol, encontra numa caverna a suposta paciente desaparecida e encontrada. Ela diz ser uma ex-psiquiatra do hospital que foi vítima de uma conspiração e conta que ele também é uma vítima. Conta que os remédios que tomou para as dores de cabeça, o cigarro e até a comida ingerida contém substâncias que o farão ter tremores e paralisias. Conta ainda que serão usados seus traumas de guerra para reforçar a tese da loucura dele e que nunca mais sairá daquela ilha. Segundo ela, todos sabem de tudo o que acontece ali, mas ninguém fala por medo de acabarem como ela. Ele volta ao hospital e parece que o que a tal médica tinha razão. Quando ele pergunta pelo seu parceiro, dizem que ele chegou lá sozinho. Começa a apresentar tremores e paralisia nas mãos. Todos parecem suspeitos. Fica impossível saber o que é real ou se é tudo uma conspiração. O médico tenta lhe aplicar um sedativo, mas ele o domina e aplica-lhe o sedativo. Foge para o farol onde consegue dominar o guarda, pega sua arma e sobe as escadas e procura por vestígios das tais cirurgias de lobotomia. Não encontra nada até chegar no topo do farol, onde encontra o psiquiatra diretor do presídio. Este lhe diz que a arma está descarregada e que ele, Teddy é na verdade, um dos pacientes do lugar. Conta que ele está lá a dois anos e estão tentando curá-lo usando um novo método. É revelado que o parceiro Chuck, é na verdade, o médico responsável por ele. Após relutar, lembra o motivo de estar lá. Lembra que ao chegar em casa, sua mulher está molhada e ao perguntar pelas crianças, ela diz que estão na escola, mas é sábado. Ao olhar no lago, vê boiando o corpo dos filhos. Retira-os de lá e sua esposa diz que podem ser seus "bonequinhos". Ele mata a mulher com um tiro e depois incendeia sua casa. Cria a fantasia de que alguém foi responsável por tudo e não ele. Acaba aceitando a realidade e os médicos acreditam que ele possa estar curado. O final fica aberto para interpretações, pois quando ele está pronto para ir embora, chama o médico pelo nome de Chuck, que seria o parceiro imaginário, e este faz um sinal negativo com a cabeça para a equipe que o espera para levá-lo à balsa, que é o único meio de sair dali. Então ele faz um comentário: "Fico imaginando o que é pior: viver como um monstro, ou morrer como um homem bom." depois disso segue em direção da equipe,s e junta a eles e seguem caminhando para algum lugar que não é revelado se é o carro que o levará até a balsa, ou se de volta para o presídio.
O filme é fantástico! No início pensei que fosse de terror, mas depois me dei conta que se tratava um suspense psicológico muito bem feito. Tão bem feito, que tive problemas para dormir. É um filme com cenas muito fortes e histórias conectadas que levam o espectador a fazer parte do filme, como em um jogo de adivinhação. O final pode ter várias interpretações. Acredito que ele estava curado e que a frase revela o dilema da vida dele. Aceitar a realidade pode ser muito cruel, enquanto viver em um mundo de fantasias é menos doloroso. Se assumir a culpa, viverá se achando um monstro por ter matado a mulher que amava, mesmo ela tendo matado seus três filhos e pedido para que ele a libertasse. Por outro lado, culpando outra pessoa imaginária, poderia viver sem culpar-se pelo que fez. Vale a pena assistir e tirar suas próprias conclusões.